Neste post, vamos falar sobre as diferentes formas de tratar o Pectus Excavatum severo com foco no Método Haje, que envolve ou uso de método não cirúrgico, com uso da órtese CDTA 2 (compressor dinâmico de tórax 2), e exercícios específicos. Fomos pioneiros ainda no mundo em associar o método Haje a dispositivo á vácuo para melhorar os nossos resultados.
O que é Pectus Excavatum e por que alguns casos são considerados severos?
- Definição da deformidade torácica Pectus Excavatum (também conhecida como “peito escavado” ou “peito de sapateiro”).
- Como ocorre o afundamento do esterno e cartilagens costais, e variações na gravidade (de depressões leves a casos profundos e amplos).
- Critérios de severidade clínico: extensão e profundidade da depressão (que podem ser aferidos com réguas ou medidores específicos), sintomas respiratórios/cardíacos associados.
- Critérios de severidade radiográfico: alguns índice torácicos aferidos na tomografia computadorizada, como índice de Haller,
- Destaque de que casos severos são aqueles com grande comprometimento estético ou funcional, frequentemente demandando atenção médica especializada. Mas mesmos casos leves podem estar associados a incômodo psicológico e estético, além de poderem estar associados a desvios de coluna, como a escoliose.
Se você tem um caso severo de Pectus Excavatum – aquele afundamento acentuado no peito – é natural se perguntar: será que dá para tratar isso sem cirurgia? Afinal, quando a deformidade é grave, muita gente imagina que a única saída seja uma operação invasiva.
A medicina tem avançado em técnicas tanto cirúrgicas quanto conservadoras para corrigir o chamado pectus excavatum. O tratamento ideal é planejado caso a caso, muitas vezes envolvendo uma equipe multidisciplinar (médicos, fisioterapeutas, especialistas em imagem, psicólogos) para cuidar do paciente de forma completa.

Diagnóstico e Avaliação Inicial
A jornada de tratamento do Pectus Excavatum começa com uma anamnese bem feita, entendendo melhor o contexto psicológico e físico do paciente, realizando diagnóstico bem feito e indicação de um tratamento que tenha a aceitação da família e paciente.
Identificar precocemente os sinais de gravidade é essencial para prevenir complicações. Em casos de Pectus Excavatum muito acentuado, o coração e os pulmões podem ficar comprimidos ou deslocados, o que eventualmente prejudica a função cardiovascular e respiratória. Por isso, durante a consulta inicial, o especialista geralmente investiga o histórico de saúde do paciente, avalia a necessidade de realizar testes de função cardiopulmonar, podendo solicitar espirometria, ecocardiograma, e outros testes cardiopulmonares. Esses testes são importantes em casos de suspeita de síndrome de Marfan, que pode estar associado em uma minoria dos casos.
Outra parte importante do diagnóstico é contar com a integração de diferentes especialidades. Em casos severos, profissionais da cardiologia e da pneumologia podem colaborar na avaliação para ter certeza de que nenhum detalhe passará despercebido.
Médicos experientes, como o Dr. Haje, têm mostrado que, ao combinar métodos modernos com toda a experiência acumulada ao longo dos anos, é possível oferecer um tratamento mais personalizado e seguro. Hoje em dia, a atuação de uma equipe multidisciplinar é considerada o padrão-ouro nos casos graves: médicos ortopedistas, fisioterapeutas e outros especialistas trabalham juntos para planejar tanto a correção sem cirurgia da deformidade em si quanto a reabilitação do paciente. Assim, reduz-se o risco de complicações e otimiza-se a recuperação.
Abordagens Não Cirúrgicas e Terapias Complementares, conheça o Método Haje
Além das operações, existem métodos não cirúrgicos e terapias complementares que desempenham um papel importante no manejo do Pectus Excavatum – inclusive em casos graves, dependendo de cada situação.
Um exemplo de tratamento não cirúrgico que tem ganhado destaque é o método Haje, desenvolvido pelo médico brasileiro Dr. Sydney Haje e continuado e aprimodrado pelo Dr. Davi Haje. Esse método combina o uso de uma órtese personalizada – chamado de compressor dinâmico do tórax ajustável 2 (CDTA 2 ) – com exercícios físicos específicos. A órtese exerce pressão controlada sobre o peito, enquanto os exercícios aumentam a pressão interna dos pulmões e fortalecem a musculatura, incentivando o tórax a se remodelar. Quando aplicado de forma adequada e com acompanhamento profissional, o método Haje tem apresentado resultados significativos na correção gradual do peito escavado, mesmo em casos mais severos, sobretudo se o paciente ainda está em fase de crescimento. Em algumas situações, os médicos do Orthopectus associam também o uso da ventosa de sucção juntamente com o colete, para potencializar os resultados do tratamento conservador. Dr Davi tem a sua disposição vários modelos de dispositivos de sucção para testar previamente no tórax do paciente antes de iniciar o tratamento.
Vale ressaltar que essas estratégias não cirúrgicas podem ser utilizadas após uma cirurgia que não teve um bom resultado, mas isso vai depender de avaliação prévia.
Dr Davi Haje recomenda cirurgia apenas em casos severos , que estão psicologicamente abalados, e que não aceitaram ou se adaptaram ao método Haje não cirúrgico de tratamento. Além disso, as famílias tem que aceitar o risco cirúrgico, além de ter acesso a um cirurgião com experiência.
Técnicas Cirúrgicas Tradicionais
As técnicas cirúrgicas tradicionais para correção do Pectus Excavatum existem há décadas e foram, por muito tempo, a principal saída para os casos mais graves. Uma das cirurgias clássicas é a técnica de Ravitch, também chamada de esternocondroplastia. Nela, o cirurgião faz uma incisão ampla no tórax, remove partes das cartilagens que estão empurrando o esterno para dentro e reposiciona o osso esterno na sua devida posição. Muitas vezes, utiliza-se alguma placa ou suporte temporário internamente para manter o osso no lugar enquanto tudo cicatriza na nova forma.
Por ser um procedimento invasivo, a cirurgia aberta como a de Ravitch exige um tempo de recuperação maior e deixa uma cicatriz mais extensa, além de vários outros riscos cirúrgicos.
Procedimentos Minimamente Invasivos
Nas últimas décadas, surgiu uma abordagem cirúrgica menos agressiva que revolucionou o tratamento do peito escavado: a cirurgia de Nuss. Diferentemente da técnica aberta, no procedimento de Nuss o cirurgião faz apenas pequenas incisões laterais e, com auxílio de uma câmera (toracoscopia), introduz uma barra de metal por detrás do esterno. Essa barra de aço cirúrgico é então girada, fazendo o osso esterno “saltar” para fora e corrigindo a depressão. O implante (a barra) permanece dentro do tórax por um período de alguns anos, para manter a correção, e depois é retirado em uma segunda cirurgia, bem mais simples.
No entanto, mesmo sendo minimamente invasiva, a técnica de Nuss ainda é uma cirurgia – envolve anestesia geral, a colocação de um objeto dentro do corpo e também traz seus riscos. Pode haver dor significativa nas primeiras semanas após a colocação da barra e , pode acontecer deslocamento do implante ou necessidade de ajustes enquanto ele estiver cumprindo seu papel. Ainda assim, é uma opção para alguns casos severos após tentativa inicial de tratamento não cirúrgico.
Cuidados Pós-Tratamento e Acompanhamento
Para quem optou por um tratamento não cirúrgico, os cuidados de acompanhamento são importantes. Mesmo sem uma incisão para cicatrizar, é preciso monitorar de perto o progresso no uso dos coletes ou órteses, com visitas regulares ao especialista. Nesses retornos, o médico verifica se a órtese está ajustada corretamente, avalia mudanças na estrutura do tórax (muitas vezes com fotos comparativas ou exames clínicos) e faz os ajustes necessários no plano de tratamento. Isso pode significar apertar mais o colete conforme a caixa torácica vai se remodelando ou mudar a rotina de exercícios para continuar desafiando o corpo na medida certa.
Em ambos os cenários, algo que faz toda diferença é o paciente seguir à risca as orientações passadas.
Outro ponto crucial durante o acompanhamento é dar atenção ao aspecto emocional da recuperação. Não é incomum que pacientes com deformidades no tórax tenham enfrentado questões de autoestima ao longo da vida. Conversar com um psicólogo pode ajudar a lidar com essas emoções, assim como participar de grupos de apoio com outras pessoas que passaram por procedimentos semelhantes pode trazer conforto e motivação.
A família e os amigos também são aliados importantes: um ambiente de compreensão e incentivo ajuda o paciente a atravessar essa fase com mais tranquilidade.
Conclusão
Por fim, se você ou alguém próximo está lidando com um Pectus Excavatum severo, não deixe de buscar orientação médica. Não é necessário conviver para sempre com as limitações físicas e emocionais que essa condição pode impor. No Centro Clínico Orthopectus, por exemplo, contamos com uma equipe multidisciplinar pioneira no tratamento de deformidades do tórax – profissionais prontos para avaliar seu caso com carinho e expertise, e indicar o melhor caminho a seguir. Lembre-se de que cada passo, do diagnóstico ao pós-tratamento, faz parte de uma jornada de transformação. Com acompanhamento adequado, o peito escavado pode ficar no passado, dando lugar a uma vida mais saudável e confiante.
Doutor em Ortopedia pela USP. Especialista em Deformidades do Tórax e Coluna, Ortopedia Pediátrica e Cirurgia do Pé e Tornozelo de Adultos e Crianças | CRM-DF 11077
- Dr. Davi Haje
- Dr. Davi Haje





