Artrite Reumatoide

A artrite reumatoide é uma das doenças reumatológicas mais frequentes, afetando até 1% da população adulta de alguns países. Trata-se de uma doença auto-imune, em que o sistema imunológico passa a atacar as membranas que revestem o interior das articulações, chamadas de sinóvia. Não se sabe ao certo o motivo exato por que alguns indivíduos a desenvolvem, porém se sabe que fatores genéticos e ambientais (em especial o tabagismo) influenciam o seu surgimento.

Os pacientes sofrem de dores, inchaço e rigidez articulares crônicas que, se não tratados, podem levar a deformidades articulares irreversíveis. Os sintomas são piores pela manhã, logo ao acordar. As juntas mais afetadas são as pequenas articulações das mãos e dos pés; no entanto, punhos, cotovelos, ombros, joelhos e tornozelos podem ser acometidos com a progressão da doença.

No passado, pela ausência de tratamentos específicos, a artrite reumatoide levava a deformidades articulares incapacitantes irreversíveis em uma parcela significativa dos pacientes. Essa realidade mudou nas últimas décadas, com o surgimento de mais de uma dezena de novos tratamentos que apresentam eficácia e segurança comprovadas em diversos estudos. Seu uso precoce mudou o prognóstico da artrite reumatoide, tornando o controle dos sintomas e a prevenção das seqüelas um objetivo perfeitamente alcançável na maioria dos casos.

Lúpus Eritematoso Sistêmico

O Lúpus Eritematoso Sistêmico (LES) é uma doença auto-imune, ou seja, causada pela agressão do sistema de defesa do organismo aos vários órgãos e tecidos do corpo. É uma patologia relativamente comum e ocorre predominantemente em mulheres durante os anos reprodutivos, embora crianças, homens e idosos também possam ser acometidos.

O diagnóstico é baseado na associação dos sinais e sintomas clínicos com algumas alterações laboratoriais, tais como a detecção de determinados auto-anticorpos no sangue.

As principais manifestações são lesões e inflamação na pele, em especial em áreas expostas ao sol, feridas no interior da boca, febre, perda de peso, dores nas juntas, anemia e outras alterações do sangue, queda de cabelo e dor no peito ao respirar. É comum também o acometimento dos rins, que cursa com sangramento microscópico na urina, aumento da pressão sanguínea, inchaço nas pernas e no rosto e, em casos mais graves, a perda da função renal (insuficiência renal).

Desta forma, nota-se que o LES é uma doença que pode ser grave, em especial quando lesa o rim ou o cérebro, mas nem todos os pacientes desenvolverão todos esses sintomas. Além disso, hoje o prognóstico é muito bom, já que estão à disposição diversos tratamentos eficazes, capazes de regular o sistema imunológico e permitir o controle da doença.

Espondilite Anquilosante

A espondilite anquilosante (EA) é uma doença reumatológica que se caracteriza por inflamação das articulações da coluna, em especial da articulação sacroilíaca (sacroileíte – na parte mais baixa da coluna) e inflamação no local onde os tendões se inserem nos ossos (ênteses). Acomete principalmente homens jovens e é relativamente comum, podendo atingir até 0.5% dos indivíduos adultos de algumas populações. É uma doença auto-imune de causa exata ainda incerta, porém se sabe que ela ataca preferencialmente indivíduos portadores do gene HLA-B27.

As inflamações na coluna e nas articulações sacroilíacas geram dores crônicas na região lombar e nas nádegas. Essas dores são piores pela manhã, logo ao acordar, e tendem a melhorar parcialmente ao longo do dia. A inflamação das ênteses pode causar dor nos calcanhares e um terço dos portadores de EA poderão apresentar também inflamações (dor e inchaço) em outras articulações, tais como joelhos, tornozelos, ombros e quadris.

Com o tempo, se não tratada adequadamente, as partes mais altas da coluna (regiões torácica e cervical) também podem ser afetadas e pode ocorrer a calcificação dos ligamentos da coluna, com redução significativa da sua mobilidade. No entanto, hoje estão disponíveis excelentes tratamentos para a EA, que associam medidas não-farmacológicas, como exercícios de alongamento, a medicamentos capazes de desinflamar e bloquear a agressão imunológica às articulações.

Osteoporose

A Osteoporose é uma doença óssea caracterizada por uma diminuição do conteúdo mineral do osso, o que o torna mais frágil e propenso a fraturas, mesmo após traumas de baixo impacto. É extremamente comum, afetando principalmente mulheres no período pós-menopausa e homens idosos.

Suas complicações mais comuns são as fraturas de quadril, punho e de vértebras. Tais fraturas, principalmente a de quadril, podem tem um impacto devastador na qualidade de vida, especialmente de pessoas idosas. Assim, o objetivo de se diagnosticar precocemente a osteoporose é justamente evitar que tais fraturas ocorram. Isso pode ser feito a partir do exame de densitometria óssea.

Uma vez diagnosticada, a osteoporose pode ser tratada por um conjunto de medidas que incluem alimentação rica em Cálcio, uso de suplementos de vitamina D, exposição solar moderada, exercícios físicos, além de orientações para se prevenir quedas. Além disso, há diversos medicamentos que se provaram capazes de diminuir a perda mineral óssea e reduzir o risco de fraturas.

Esclerose Sistêmica (ES)

A esclerose sistêmica, também conhecida, embora de modo errôneo, como esclerodermia, é uma doença autoimune em que o sistema imunológico ataca principalmente os pequenos vasos sanguíneos, pele, esôfago e pulmões. Predomina em mulheres de meia idade, porém também pode ocorrer em homens e crianças. Manifesta-se principalmente pelo espessamento da pele, que fica endurecida e fibrosada. Este começa nas extremidades (dedos) e vai progredindo em direção ao centro do corpo. O fenômeno de Raynaud, sintoma no qual a circulação sanguínea dos dedos diminui após exposição ao frio, também é muito comum, ficando os dedos pálidos ou arroxeados quando expostos a baixas temperaturas, com melhora desses sintomas após o aquecimento das mãos.

Outros problemas podem ocorrer na esclerose sistêmica/esclerodermia, tais como lesões no esôfago causando refluxo e dificuldades para engolir, dores articulares, fraqueza muscular, lesões intestinais, com consequente diarreia ou constipação intestinal, e, em casos mais graves, a ES pode afetar os rins, causando crises graves de hipertensão conhecidas como crise renal esclerodérmica, e afetar os pulmões, gerando pneumonias intersticiais e o aumento da pressão sanguínea no interior dos pulmões (hipertensão pulmonar).

Existem dois tipos de esclerose sistêmica/esclerodermia, a esclerose sistêmica forma difusa (ESd) e a esclerose sistêmica forma limitada (ESl). Ambas causam o espessamento da pela da face e das mãos, mas na ESd o espessamento cutâneo progride para envolver coxas, braços e tronco, o que não ocorre na ESl. Nesta, a progressão dos sintomas é mais lenta, ocorrendo ao longo de vários anos, diferentemente da ESd, cujos sintomas progridem mais rapidamente.

O tratamento da esclerose sistêmica/esclerodermia consiste no uso de medicamentos imunossupressores e de medicações que aliviam as conseqüências da ES, tais como o fenômeno de Raynaud, o refluxo gastroesofágico e a hipertensão pulmonar.

Artrose

A artrose, também conhecida como osteoartrite ou osteoartrose, é a doença reumatológica mais comum. Afeta pessoas de ambos os sexos, principalmente idosos, porém mesmo adultos jovens podem tê-la, embora bem mais raramente. Ela caracteriza-se por um desgaste da cartilagem que reveste o interior da articulação. A cartilagem desgastada torna-se cheia de falhas e buracos (erosões), além de mais fina. Isto gera um atrito ósseo patológico, com o surgimento de dor e aumento de volume da articulação lesada.

Várias são as articulações que podem ser acometidas pela artrose. As mais comumente envolvidas são os joelhos, quadris, as articulações das pontas dos dedos das mãos e as da coluna.

O envelhecimento é a principal causa de artrose, porém obesidade, lesões traumáticas prévias e algumas doenças genéticas podem também causá-la.

Os principais sintomas da artrose são dor, principalmente com a movimentação da articulação envolvida, aumento do volume articular em virtude da formação dos osteófitos, que nada mais são do que os populares “bicos de papagaio”, e redução da mobilidade da articulação afetada.

O tratamento da artrose depende do local em que ela ocorre, porém, de maneira geral, consiste em fortalecimento muscular, uso de analgésicos e anti-inflamatórios para controle da dor e de infiltrações intra-articulares. Em casos avançados, poderá ser necessária a realização de cirurgias para substituição da articulação doente por próteses.

Polimiosite e Dermatomiosite

A polimiosite e a dermatomiosite são doenças autoimunes caracterizadas pela agressão imunológica aos músculos, que se tornam consequentemente inflamados. Ambas caracterizam-se por fraqueza muscular progressiva, principalmente dos músculos proximais, ou seja, da musculatura das coxas, quadris, dos braços e ombros. O paciente acaba tendo dificuldades para sair de uma cama, levantar-se de uma cadeira e elevar os braços. Em casos mais graves, até mesmo dificuldades para andar e deglutir podem ocorrer. Dor muscular significativa é incomum.

A dermatomiosite se diferencia da polimiosite pelo fato de também causar lesões na pele, em especial manchas vermelho-violáceas em pálpebras, conhecidas como heliótropo, e placas vermelhas descamativas no dorso das mãos, conhecidas como pápulas de Gottron.

O tratamento da polimiosite e da dermatomiosite consiste no uso de imunossupressores com o objetivo de frear e bloquear a agressão imunológica aos músculos, o que é conseguido na maioria das vezes.

Artrite Psoriásica

A psoríase, doença de pele comum, que ocorre em até 3% das pessoas adultas, pode se associar a inflamações nas articulações periféricas e na coluna em até um terço dos casos, as quais chamamos de artrite psoriásica.

A artrite psoriásica tende a ocorrer depois do surgimento das lesões cutâneas da psoríase, ou concomitantemente a elas, porém, em alguns casos, ela pode precedê-las.

Além das lesões de pele da psoríase, em especial as placas vermelhas com muita descamação que surgem em cotovelos, joelhos, pernas, palma das mãos, sola dos pés e couro cabeludo, o paciente com artrite psoriásica sofre de dores e inchaços articulares em um número variável de articulações. Dor na coluna que é pior ao acordar pela manhã também pode acontecer.

Se não tratada, a artrite psoriásica pode levar a deformidades irreversíveis das articulações envolvidas, daí a necessidade de ser corretamente diagnosticada e rapidamente tratada.

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