Método de Ponseti no pé torto congênito

O Pé torto congênito é uma uma anomalia isolada no recém-nascido pode estar associada a outras patologias,  tendo como principal deformidade um equinismo acentuado de retro e antepé, varismo de retropé, adução e supinação do antepé, cavo plantar acentuado. A denominação mais comum para este tipo de patologia é o pé torto congênito, mas existem várias denominações que também são freqüentes: eqüinovaro congênito, pé torto, tálipe eqüinovaro, pé torto idiopático, pé eqüinovaro supinado.

A deformidade não é apenas no pé, também compreende toda parte distal do membro inferior essa deformidade esta presente nos ossos, músculos, tendões e vasos sanguíneos. Estudos recentes demonstram que o tálus  esta associado a principal causa da deformidade, por se encontrar em dimensões menores e desviado plantar e lateralmente.  Há uma diminuição do ângulo entre o colo e o corpo do astrágalo. A articulação com o tornozelo é normal, mas as facetas subtalares estão alteradas, bem como a superfície articular com o navicular. O calcâneo encontra-se em eqüino acentuado e varo. Há um leve desvio medial e a articulação calcaneocubóidea está subluxada medialmente. A articulação talonavicular encontra-se luxada. O navicular situa-se medialmente e superiormente em relação ao astrágalo.

Etiologia

Não se conhece o fator principal que ocasiona o pé torto congênito, mas algumas teorias procuram explicar o mecanismo pelo qual se desenvolve a deformidade. De acordo com a teoria esquelética, o defeito primário estaria na deformidade de alguns ossos do pé. A teoria muscular fundamenta-se em achados de estudos ao microscópio eletrônico, que demonstram alterações de fibras musculares no Pé Torto Congênito.

Conforme a teoria neurológica as alterações primárias estariam nos nervos periféricos. A teoria vascular baseia-se no fato de que anomalias arteriais em fetos e embriões podem determinar deformidades congênitas. Existe ainda a teoria da parada do desenvolvimento embrionário que defende a idéia de que o pé permaneceria em seu estado embrionário desde a quinta semana de gestação.

Estudos realizados em famílias de pacientes com Pé Torto Congênito comprovam a importância da genética no aparecimento da deformidade, mas o exato mecanismo de herança ainda não foi determinado, talvez por existirem diferentes padrões de herança e causas. De qualquer forma a herança que mais tem sido considerada é a multifatorial, na qual há vários fatores envolvidos no desenvolvimento de uma deformidade congênita. A incidência é de 1 a 2 a cada 1000 nascidos vivos, atingindo mas as crianças do sexo masculino.

Classificação

Alguns autores classificam como três tipos de pé torto congênito o postural, idiopático e teratológico já outros consideram quatro tipos, o postural, idiopático, teratológico e síndrômico. O postural é resultante de posicionamento errado dentro do útero, não apresenta rigidez e não tem eqüinismo de calcâneo, que é palpável na sua posição original. É um pé que reduz com facilidade e responde muito bem ao tratamento conservador em poucas semanas. O pé torto idiopático constitui-se na grande maioria dos casos de pé torto congênito e caracteriza-se por ser muito rígido, com deformidades bem-estruturadas, e não reduz com manipulações. Sua resposta ao tratamento conservador é bem menor. As estatísticas variam muito em relação aos resultados de tratamento conservador de pé torto congênito, devido principalmente a uma falta de critérios bem-estabelecidos e universalmente adotados para diagnóstico, tratamento, avaliação inicial. Por isso é muito difícil comparar resultados nesses pacientes.

Teratológicos são principalmente decorrentes de mielomeningocele e a artrogripose múltipla congênita, nesses pacientes geralmente não há resposta ao tratamento conservador. São pés muitos rígidos, com a pele lisa e sem pregas ou dobras cutâneas e esses pacientes apresentam um índice muito alto de recidivas, mesmo com tratamento cirúrgico bem-estabelecido. O síndrômico é quando faz parte de uma síndrome bem definida (Freeman-Sheldon, Down, Pirre-Robin, Larsen) geralmente bilateral.

Diagnóstico

O diagnóstico é clinico, pois a doença é evidente logo ao nascimento. Aos raios-x, observa-se diminuição do ângulo formado entre o tálus e o calcâneo, sendo este parâmetro importante no tratamento, necessitando de estar próximo do valor normal para proceder-se a correção da deformidade em eqüino. O diagnóstico pré-natal pode ser feito por uma ultrassonografia a partir da 20ª a 24ª semana de gestação.

A avaliação deve se registrar os detalhes da história familiar e os antecedentes relativos ao parto. Deve se anotar se o paciente apresenta outras anomalias congênitas, tais como: espinha bífida oculta, luxação congênita do quadril ou presença de deformidade típicas da artrogripose. Os pés devem ser examinados, anotando-se a sua configuração, a extensão da deformidade e o grau de mobilidade, assim como o possível grau de correção passiva e ativa. Deve se avaliar a eficácia dos músculos responsáveis pela eversão e pela flexão dorsal. Os pés da criança devem ser fotografados antes de iniciar o tratamento, e depois a intervalos freqüentes, até à alta do paciente. As radiografias, tiradas periodicamente durante o período de crescimento, revelam-se úteis porque mostram a posição exata das articulações.

Método Ponseti

O Dr. Ponseti revolucionou o tratamento do pé torto congênito pelo método que leva o seu nome. É o nosso método de escolha na Clínica Orthopectus por ser o que apresenta melhores resultados na literatura médica e na nossa experiência. O Prof. Dr. Davi Haje tem experiência reconhecida mundialmente no Metodo Ponseti, inclusive com publicação internacional sobre o assunto numas das revistas científicas mais importantes e de maior impacto da Ortopedia Mundial, a Journal Bone and Joint Surgery – Case Connector.

Caso na sua ecografia gestacional tenha sido visualizado que seu filho (a) seja portador de pé torto congênito, não se desespere e fique ciente que o tratamento tem uma elevada chance de resolver o problema de forma satisfatória. Nesses casos de diagnóstico pré-natal recomendamos uma consulta antes do nascimento para esclarecer dúvidas e planejamento de eventual tratamento. Digo eventual tratamento, pois nem todos os pés visualizados na ecografia como sendo tortos necessitam realmente de tratamento, pois uma minoria se enquadra como um pé torto postural, que pode melhorar espontaneamente, com manipulações ou com poucos gessos. Mas a maioria ao nascimento se revelam realmente como pés tortos (pé equino, cavo, varo, aduto e supinado), que são mais rígidos, e que necessitam ser tratados pelo método de Ponseti.

dr davi haje
Doutor em Ortopedia at  | Website |  + posts

Doutor em Ortopedia pela USP. Especialista em Deformidades do Tórax e Coluna, Ortopedia Pediátrica e Cirurgia do Pé e Tornozelo de Adultos e Crianças | CRM-DF 11077

Categorias de Artigos

Principais Especialidades

Veja Também

A visita de um paciente da Ucrânia

  No mês passado, recebemos um paciente que veio da Ucrânia realizar seu tratamento aqui na Orthopectus. Já recebemos mais de 150 estrangeiros nos últimos tempos, dos mais diversos lugares

Leia Mais »