As deformidades torácicas Pectus Excavatum e Pectus Carinatum são condições congênitas que afetam a parede do tórax, mas possuem características anatômicas marcadamente distintas. O Pectus Excavatum, também chamado de tórax em funil, é caracterizado por uma depressão no esterno, criando uma aparência afundada na parte central do peito. Em muitos casos, essa depressão é perceptível desde a infância e tende a se agravar durante a adolescência devido ao crescimento acelerado do tórax. Além do impacto visual, essa conformação pode comprimir órgãos internos, como os pulmões e o coração, ocasionando sintomas como falta de ar, fadiga e, em alguns casos, dor torácica.
Já o Pectus Carinatum, ou tórax em quilha, apresenta uma protrusão para frente do esterno e das cartilagens costais adjacentes, conferindo ao peito uma aparência “arqueada”. Ao contrário do Excavatum, o Carinatum raramente causa compressão significativa dos órgãos internos. Contudo, pode ser motivo de desconforto psicológico, especialmente em adolescentes que enfrentam mudanças corporais e preocupações estéticas.
Essas diferenças anatômicas e suas possíveis repercussões tornam crucial uma avaliação médica detalhada para determinar o impacto funcional e psicológico de cada caso. Entender essas distinções é o primeiro passo para escolher o tratamento mais adequado e melhorar a qualidade de vida dos pacientes.
Impacto na Saúde Física e Emocional
Além das diferenças anatômicas evidentes, as condições podem exercer impacto significativo na saúde física e emocional dos pacientes. Em termos de saúde respiratória, a conformação do tórax pode limitar a expansão pulmonar, resultando em fadiga, falta de ar e redução do desempenho em atividades físicas. Apesar de o Excavatum frequentemente estar associado a essas restrições funcionais, alguns casos de Carinatum também apresentam dificuldade respiratória, sobretudo em situações que demandam alto esforço cardíaco e pulmonar.
No aspecto cardiovascular, a compressão ou deslocamento do coração é mais comum em indivíduos com tórax em funil, podendo ocasionar palpitações e até mesmo alterações na capacidade de bombear o sangue. Embora o Carinatum raramente cause complicações de ordem cardíaca, a preocupação estética e a autoconsciência acerca do formato do peito podem desencadear ansiedade, baixa autoestima e até depressão. Esse abalo emocional muitas vezes compromete a vida social e o rendimento escolar ou profissional.
Diversos estudos clínicos destacam a importância de um diagnóstico precoce e de intervenções personalizadas para minimizar as repercussões físicas e psicológicas. Assim, promover um acompanhamento multidisciplinar, que inclua suporte médico, fisioterapêutico e terapêutico, é fundamental para garantir melhor qualidade de vida aos pacientes. Essas medidas são essenciais.
Métodos de Diagnóstico e Avaliação
A identificação precoce é fundamental para orientar o tratamento mais adequado. O processo de avaliação inicia-se com o exame físico, no qual o especialista observa a forma do tórax, verificando alterações na respiração e frequência cardíaca. Além disso, são empregados exames de imagem para determinar a gravidade da deformidade, sendo a radiografia de tórax um dos mais utilizados. Esse método permite uma análise inicial da estrutura óssea, medindo o grau de profundidade ou projeção do esterno e das costelas adjacentes.
Para obter um diagnóstico mais detalhado, o uso de tomografia computadorizada (TC) ou ressonância magnética (RM) fornece uma avaliação tridimensional completa da parede torácica e do posicionamento de órgãos internos. Em alguns casos, profissionais podem recorrer à ecocardiografia para verificar a função cardíaca e identificar eventuais compressões do coração. Além dos exames de imagem, o índice de Haller é amplamente utilizado para classificar a severidade do Pectus Excavatum, enquanto escalas específicas podem ser aplicadas no Carinatum. Essa abordagem integrada permite que pacientes e médicos decidam conjuntamente sobre o melhor plano de tratamento, seja ele conservador ou cirúrgico. Assim, o diagnóstico e a avaliação detalhada do quadro são passos cruciais para promover uma recuperação efetiva.
Tratamentos Não Cirúrgicos
A adoção de tratamentos não cirúrgicos tem mostrado resultados positivos, sobretudo nos casos mais leves de tórax em funil e tórax em quilha. Entre as abordagens conservadoras, o uso de coletes ortopédicos – também chamados de órteses torácicas – destaca-se por oferecer correção gradual da deformidade, aplicando pressão controlada sobre a região do esterno e das cartilagens costais. Esse método é especialmente eficaz em pacientes em fase de crescimento, pois a parede torácica ainda se encontra maleável, o que facilita a remodelação óssea.
Outro recurso bastante utilizado é o vacuum bell, um dispositivo de sucção posicionado sobre a depressão torácica, que cria um vácuo e, com uso contínuo, auxilia na elevação progressiva do esterno. Pesquisas recentes indicam benefícios expressivos no alívio de sintomas respiratórios e na melhora da aparência física, elevando a autoestima. Exercícios de fisioterapia, orientados por profissionais experientes, também contribuem para fortalecer a musculatura peitoral e melhorar a postura, potencializando os efeitos dessas intervenções.
Vale ressaltar que, tanto no Pectus Excavatum quanto no Pectus Carinatum, esses tratamentos exigem disciplina e acompanhamento especializado para garantir eficiência e segurança. O controle periódico com profissionais de saúde – incluindo exames de imagem para verificar a evolução – permite ajustes contínuos e resultados mais satisfatórios ao longo do tempo.

Tratamentos Cirúrgicos
As intervenções cirúrgicas oferecem opções eficazes para corrigir deformidades torácicas, principalmente quando os tratamentos conservadores não atingem resultados ou quando a aparência do tórax compromete a saúde física e emocional do paciente. O procedimento de Nuss, adotado para o tórax côncavo, é considerado minimamente invasivo: envolve a inserção de uma barra de metal sob o esterno para reposicioná-lo gradualmente. Por meio de pequenas incisões laterais, o cirurgião ajusta a estrutura do peito sem a necessidade de grandes cortes ósseos, reduzindo o tempo de recuperação e as cicatrizes.
Já a técnica de Ravitch, mais tradicional, consiste na remoção parcial das cartilagens esternais deformadas, seguida da estabilização da parede torácica com placas ou enxertos. Embora seja mais invasivo, esse método ainda é indicado em casos complexos, incluindo o tórax convexo, especialmente quando há assimetria. Profissionais especializados ressaltam a importância de uma avaliação criteriosa para determinar qual técnica cirúrgica oferece os melhores resultados para cada paciente.
Durante a recuperação, o controle da dor, a fisioterapia e o acompanhamento médico constante são essenciais para otimizar os efeitos da cirurgia e assegurar uma cicatrização adequada. Com um planejamento multidisciplinar, é possível alcançar melhorias expressivas na função respiratória, na aparência estética e na qualidade de vida.
A Importância do Acompanhamento Multidisciplinar
O sucesso no tratamento não depende apenas de procedimentos cirúrgicos ou coletes ortopédicos, mas também de uma abordagem multidisciplinar que integre profissionais de diversas áreas da saúde. Fisioterapeutas, por exemplo, contribuem para o fortalecimento muscular e a melhora da postura, otimizando os resultados de qualquer intervenção adotada. Ao mesmo tempo, especialistas em cardiologia e pneumologia avaliam as funções cardíacas e pulmonares, garantindo uma visão completa de como a deformidade torácica impacta o organismo.
O suporte psicológico, por sua vez, auxilia na redução da ansiedade e do estresse que costumam surgir diante de mudanças físicas e possíveis limitações respiratórias. Pacientes em idade escolar, por exemplo, podem enfrentar problemas de autoestima que afetam seu desempenho e relações sociais. Nessas situações, psicólogos e terapeutas ocupacionais são fundamentais para oferecer estratégias de enfrentamento e reforçar a autoconfiança.
Além disso, a participação de nutricionistas pode ser valiosa para adaptar a alimentação, visando manter um peso adequado e potencializar a recuperação pós-tratamento. Nesse sentido, o diálogo entre todas essas frentes permite uma reabilitação integral, favorecendo resultados mais duradouros. Desse modo, ao contar com uma equipe de profissionais especializados, o paciente recebe um cuidado completo, ganha qualidade de vida e potencializa sua recuperação em cada etapa.
Conclusão
A jornada de tratamento para deformidades torácicas, como o tórax em funil ou o tórax em quilha, exige não apenas a escolha de procedimentos adequados, mas também um olhar atento para o bem-estar global do paciente. Ao longo do processo, a atenção à saúde mental, o suporte familiar e o acompanhamento de especialistas tornam-se elementos essenciais para resultados positivos. É fundamental que o paciente compreenda as possibilidades de correção – seja por meio de coletes, vacuum bell ou intervenções cirúrgicas – e discuta abertamente com a equipe médica sobre expectativas e desafios.
Nesse contexto, a orientação e o monitoramento constante, aliados à prática de exercícios físicos supervisionados e a uma rotina saudável, contribuem para a recuperação e para a elevação da autoestima. A evolução tecnológica em procedimentos minimamente invasivos e dispositivos de correção indica um caminho cada vez mais seguro para quem enfrenta essas alterações no peito.
Caso você ou alguém de sua família precise de acompanhamento especializado e queira conhecer mais sobre as opções de diagnóstico e tratamento, entre em contato com o Centro Clínico Orthopectus. Referência no assunto em Brasília, a clínica reúne uma equipe multidisciplinar pronta para oferecer atendimento personalizado, garantindo conforto, confiança e resultados efetivos em todas as etapas do processo de cuidado.
Doutor em Ortopedia pela USP. Especialista em Deformidades do Tórax e Coluna, Ortopedia Pediátrica e Cirurgia do Pé e Tornozelo de Adultos e Crianças | CRM-DF 11077
- Dr. Davi Hajehttps://orthopectus.com.br/author/davihage/
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