Existem várias patologias que podem acometer o pé do adulto, entre elas:

1

Joanete ou hálux valgus / dedos em garra / deformidade nos dedos;

2

Artrose e lesões da cartilagem;

3

Tendinopatias;

4

Dores na planta abaixo dos dedos (metatarsalgia / calosidades);

5

Dores na região do Calcâneo no adulto (veja texto abaixo).

Dores na região do calcâneo no adulto

A dor no calcâneo também é uma ocorrência muito comum em adultos. As principais causas são a fasciíte plantar e a tendinite na inserção do tendão calcâneo, entre outras.

Uma entrevista concedida pelo Dr. Davi Haje a repórter do Correio Braziliense sobre dor no calcâneo foi publicada na Revista do Correio em 9 de agosto de 2015. Confira abaixo a entrevista na íntegra.

PERGUNTA: O que é o esporão de galo? Onde exatamente ele fica e o que provoca essa calcificação?

RESPOSTA: Na verdade o “esporão de galo” é um termo leigo, sendo que a maioria das pessoas que apresentam dor na região do calcanhar (calcaneodinia = dor + calcâneo) podem ter inflamação em diferentes estruturas da região do calcanhar.

Para entender melhor o problema tem que se entender um pouco melhor a anatomia da região do calcanhar. Logo abaixo da pele da região inferior do calcanhar, existe uma camada densa de gordura para absorver o impacto da caminhada, sendo que logo a seguir dessa camada de gordura existe uma camada de músculos e a chamada fáscia plantar , que são estruturas que se unem a parte inferior do calcâneo.

O esporão de galo ou esporão do calcâneo é uma calcificação que se forma ao longo da vida nessa região inferior do calcanhar, sendo de maior ocorrência em pessoas mais velhas (acima de 40 anos, mas quanto maior a idade, maior a ocorrência). Muitas pessoas tem essa calcificação presente, mas nunca desenvolvem dor no calcanhar, e ao mesmo tempo existem muitas pessoas que tem dor no calcâneo, e não apresentam uma calcificação local. Mas a presença de calcificações mais volumosas podem predispor a inflamação das estruturas logo abaixo dessa calcificação, como a fáscia plantar, músculos e e gordura do calcâneo, ou a própria calcificação pode ser fonte da dor.

PERGUNTA: O diagnóstico é complicado? É possível confundir com outros problemas?

RESPOSTA: O diagnóstico é clínico e radiográfico. Fácil de ser feito por um ortopedista com experiência no problema.

Mas a maioria das pessoas que tem dor na região inferior do calcanhar estão com fasciíte plantar, ou inflamação dessa estrutura chamada fáscia plantar, sendo que muitas vezes elas sequer tem a calcificação ou esporão de galo presente. Mas lembrando que pessoas com dor na região do calcanhar também podem ter inflamação do próprio osso do calcanhar (fratura de estresse do mesmo), do coxim de gordura abaixo do osso ou nos nervos que inervam a região do calcanhar. Mas muitos médicos para simplificar a história, muitas vezes quando o paciente vai até seu consultório falam que o paciente está sofrendo “esporão”. O rx mostra apenas se existe a calcificação ou não, além do seu tamanho. A ressonância ajuda a evidenciar a estrutura inflamada e o grau da inflamação (fáscia, gordura, calcificação ou esporão ou osso do calcâneo).

Geralmente a fascíite plantar e a maioria das causas de dor na região do calcanhar tem como fatores predisponentes: obesos, sapatos inapropriados (rasteiros, com solado duro), sedentarismo (encurtamento dos músculos do pé e da parte posterior ou de trás da perna), excesso de impacto (atletas que passam do limite). Quem usa sapatos altos tem mais tendência a ter dores na região do antepé ou dos dedos do pé, mas apesar de um pequeno salto algumas vezes aliviar a dor da fasciite ou esporão, um excesso de salto pode fazer com que a musculatura do pé e panturrilha fique ainda mais encurtada.

O tratamento da fascíite ou qualquer causa de dor no calcâneo (seja inflamação no esporão, no coxim de gordura ou na própria fáscia plantar) envolve:

1. fisioterapia a base de alongamentos e fortalecimento da musculatura dos tornozelos e pés;

2. sapatos com solado macio e confortáveis (de preferência um bom tênis com sistema de amortecimento ou sapatos antiestresse).

     2.1. o uso de palmilhas como calcanheiras tem benefício em alguns casos, mas o ideal é fazer uma palmilha sob medida, com orientação do médico;

     2.2. o uso de órteses noturnas podem ajudar a diminuir o encurtamento muscular, mas na maioria dos casos não é necessário;

3. evitar atividades de impacto que desencadeiam dor na região (caminhadas longas, corridas, etc);

4. manter atividades físicas que não tenham impacto é benéfico (aquáticas, bicicleta, musculação);

5. medicações locais (tópicas) e o uso do gelo podem ajudar a diminuir um pouco a inflamação local;

6. o uso de medicações orais, como anti-inflamatórios, deve ser feito com muita cautela, pois essas medicações também tem efeito analgésico , e se o paciente usa e logo a seguir faz um esforço, pode na verdade está aumentando sua inflamação, além dos riscos de efeitos colaterais. Deve se evitar ao máximo a infiltração local com corticoides pois ele pode promover um enfraquecimento das fibras da fáscia plantar, além de uma atrofia da gordura do coxim do calcanhar, existindo o risco de maior cronificação do quadro.

Lembrando que o paciente deve ter paciência pois a melhora completa geralmente é lenta, ocorrendo em média em 2 a 3 meses, podendo demorar mais em casos crônicos ou com muita inflamação.

Quando o paciente tem dor nos dois calcanhares e de forma que não está tendo alívio com o tratamento , deve ser pesquisado doenças reumáticas.

Para casos refratários de fásciite plantar, o uso da ortotripsia ou terapia de ondas de choque pode ser utilizado, mas é método desconfortável e caro, devendo ser evitado em alguns casos. A cirurgia raramente é indicada pois a grande maioria quando corretamente tratada tem um excelente resultado. Lembrando que quando o paciente fica bom com o tratamento não cirúrgico ou conservador a calcificação (se estiver presente no início) permanece lá.

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